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[headlines] Somália: Vinte anos de cirurgia de guerra no Hospital de Keysaney em Mogadíscio

2012-06-08 10:37:40

Comunicado de imprensa - CICV
07-06-2012

Genebra/Nairóbi (CICV) – Durante 20 anos, o Hospital Keysaney, ao norte de Mogadíscio, na Somália, realizou cirurgias de guerra e prestou atendimento médico de emergência para civis e combatentes somalis nas últimas duas décadas. O hospital é administrado pelo Crescente Vermelho Somali com o apoio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Mais de 216 mil pacientes, incluindo 30 mil com ferimentos por armas, foram tratados no local desde 1992. Para comemorar esta data histórica, foi inaugurado um novo centro cirúrgico com a ajuda do CICV.

Video - A delegada do CICV Fatuma Abdisalam Abdulahi informa do hospital Keysaney as necessidades dos pacientes feridos por armas e como o novo centro tem fornecido tratamento a deyenas de milhares das pessoas.



“Apenas por causa da nossa estrita neutralidade, reconhecida como tal, é que podemos realizar nosso trabalho em um meio tão difícil,” afirmou o diretor do hospital desde 2004, Yusuf Mohamed Hassan. “Keysaney ingressa todos os pacientes, sem importar qual seja o seu clã, religião ou opinião política. Os serviços que prestamos são essenciais para a população de Mogadíscio.” O hospital de 90 leitos atende atualmente uma média de 200 pacientes cirúrgicos por mês, dos quais mais de cem com ferimentos por armas.

Quando o hospital abriu pela primeira vez, em 1992, não havia centro cirúrgico. O prédio, cuja finalidade original era ser um centro de detenção, foi transformado em um hospital pelo CICV que também trouxe as equipes cirúrgicas. Desde 1994, o hospital é administrado por nacionais empregados pelo Crescente Vermelho Somali e capacitados pelo CICV. O apoio prestado pela organização inclui o pagamento dos salários e o fornecimento de material médico, bem como capacitação.

“O fato de que o hospital tenha funcionado durante 20 anos é uma triste lembrança do sofrimento aparentemente interminável do povo somali,” declarou o chefe da delegação do CICV na Somália, Patrick Vial. “No entanto, estamos orgulhosos de conseguirmos disponibilizar, de maneira consistente, os serviços de emergência para todos os pacientes, não importando quem seja, em circunstâncias extremamente difíceis.”

Keysaney, que é um dos hospitais cirúrgicos de referência amparados pelo CICV em Mogadíscio, foi atingido por artilharia em inúmeras ocasiões. O ataque mais recente ocorreu em janeiro deste ano quando foi atingido por dois morteiros. O hospital já sentiu a força total do conflito armado em muitas outras formas. A violência contra pacientes, profissionais e centros de saúde acarreta um grave desafio às atividades humanitárias. Torna-se imperativo que o Direito Internacional Humanitário (DIH), que protege os serviços prestados pelos centros como o Hospital Keysaney, seja respeitado em todas as circunstâncias.

 

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